A arte da culinária ucraniana
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É raro, atualmente, ver uma conexão e sintonia tão grande quanto a dessa família. A capacidade de abraçar com tanto carinho outro ser humano surpreende os que não fazem parte da família Ilkiu.
João Ilkiu, em 1929, migrou da Ucrânia para o Brasil e trouxe uma rica tradição ucraniana.
Perdura na família um dos artifícios da belíssima cultura ucraniana: a culinária. Há um típico prato na Ucrânia chamado perohê que através das mãos femininas da família pôde ser transmitida a cada nova geração.
Sempre fui muito interessada na gastronomia brasileira, mas não havia, ainda, percebido a riqueza cultural que mora dentro da minha família.
Perohê consiste numa massa com base de farinha de trigo e água, o seu típico recheio é batata e ricota. O acompanhamento fica por conta da nata fresca e cebola caramelizada e besuntada no óleo.
No segundo domingo de agosto, Zita Ilkiu (irmã do meu avô e filha de João Ilkiu), residente em Apucarana, veio à Londrina e trouxe a espetacular receita do perohê. Minha avó Maria nos reuniu, em sua casa, para fazer a famigerada receita. Zita, desde 7 da manhã preparava os perohês, com ajuda de minha tia Vera. Apenas as 10 horas tomei coragem e comecei a fazer alguns.
Fazer o perohê exige muita dedicação. Não é simples, a massa é fina, se rasgada, tem que ser dispensada, por isso exige muita delicadeza e sutilidade. Mas é a partir do momento que se adquire um controle e carinho necessário para com a massa, se percebe a mágica acontecendo. A pequena massa se tornando algo parecido a um travesseiro.
A partir da minha felicidade facilmente estampada no rosto, meu irmão de 10 anos, com o nome de Yuri, que tem um perfil de apaixonado pela culinária (igual ao meu), decidiu, também, fazer os perohês, os primeiros ficaram feios, mas rapidamente ele pegou o jeito.
Foi uma experiência muito mágica poder ver uma tradição tão linda dentro da minha família.

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